02 janeiro 2018

2017 e suas ondas agressivas



Só não ouso dizer que foi o pior ano da minha vida porque evito o drama e existe a gratidão que me imponho e me obriga a valorizar cada pedacinho positivo do ano, mesmo se no conjunto da obra tiverem sido 12 meses de muita dificuldade. Três aspectos de 2017 valem ser ressaltados:

A política

Fiz um curso de comunicação popular, no Núcleo Piratininga de Comunicação, referência em jornalismo sindical entre os movimentos sociais brasileiros. Tive a honra de conhecer o legado de Vito Gianotti e Claudia Santiago, grandes pensadores da comunicação voltada para os trabalhadores. Foi um momento de grande amadurecimento político. Me vi contemplado ao notar uma coisa óbvia: a Comunicação que eu queria estudar antes na verdade tem tudo a ver com a História, o curso que decidi fazer finalmente. Um professor, um pesquisador e um comunicador podem andar juntos. E esse lugar me trouxe o conforto que eu buscava.
Falando em amadurecimento político, me localizei muito melhor em meus posicionamentos em relação à conjuntura, aos movimentos sociais de esquerda, ao que acredito ser uma sociedade melhor e, principalmente, qual o caminho para isso. Estou terminando o ano filiado ao Partido Socialismo e Liberdade, depois de muitas ressalvas e resistência. Acho que me encontrei, ao menos por enquanto. Estou certo de muitas posições e com minha linha política caminhando pra uma melhor estruturação. Uma disciplina de política brasileira contemporânea e todos os eventos sobre o centenário da Revolução Russa ajudaram também pra esse amadurecimento.
A minha experiência na militância estudantil foi muito mais intensa esse ano, também. Muito desgaste mas muitas vitórias e aprendizados. Sei muito melhor agora até onde minhas pernas alcançam: o que me dá prazer de fazer e o que não vale a pena eu me meter. Também me ajudou a amadurecer a visão que eu tinha sobre minha relação com a universidade, as barreiras entre a docência, a produção de ciência e o meu ativismo.

A formação

Este ano tive experiências de trabalho que agregaram muito à minha formação. Entrei para o conselho editorial de uma revista científica que funciona no colégio de aplicação da minha universidade e também passei a estagiar no arquivo da prefeitura do Rio, lugar onde tenho aprendido muito sobre administração de documentos e patrimônio. Sem contar o conhecimento histórico a partir do trabalho direto com as fontes que desenvolvo; isso tem me auxiliado demais na universidade, deixando mais concreto o conteúdo teórico que estudo.
Ainda tenho um gosto muito amplo quanto ao tema que desejo me especializar, tendo interesse por variados projetos de mestrado. Mas isso (ainda) não me aflige, tenho dois anos de graduação pela frente. Ter me aproximado da comunicação e da política deixou meus interesses menos abstratos, então acredito que não seja muito difícil definir linhas de pesquisa que me agradem. Com certeza vai ser algo relacionado a esses temas.
Preciso investir mais nas leituras - acredito que a rotina cansativa desse ano me atrapalhou na hora de ter um bom desempenho nas disciplinas, o que faz com que textos essenciais tivessem sido deixados de lado. Felizmente, indo para o sétimo período, me sinto mais seguro quanto ao meu conhecimento histórico. Essa insegurança sempre me perseguiu, visto que tive um péssimo ensino antes da universidade, entrando nela sem base alguma. Estou melhor estruturado, mas ainda precisando dar mais atenção aos livros. Também tenho que me atentar ao estudo de línguas: aperfeiçoar mais o inglês e iniciar o estudo de espanhol, coisas que nesse ano não me atentei nem um pouco.

A psiqué

Iniciei o ano começando um processo de seis meses de medicação por conta de crises de ansiedade, pânico e a famosa depressão que me assolaram no final de 2016. Também completo agora um ano frequentando uma psicanalista lacaniana, que me ajuda em muitas questões. As crises voltaram ao terminar o tratamento com os remédios, mas numa intensidade e quantidade bem menor e de forma mais controlável. Tenho tido alguns problemas com insônia recentemente, o que me faz ficar atento para caso eu precise voltar com algum tipo de medicação. É exaustivo ter que ficar atento com os sintomas e não poder viver normalmente como antes. É amedrontador passar por tudo isso. Mas ainda me resta esperança. Nada dura pra sempre da mesma forma. Eu sempre achei balela essa coisa de "pensar positivo" para as coisas melhorarem. Mas de fato, esse processo me ensinou que para a cura é fundamental manter a cabeça limpa e no lugar, ao lado de pensamentos e pessoas positivas, sem se permitir entrar em noias.
A psicanálise me ajudou a entender quem eu sou, o que eu passei e qual foi a bola de neve que rolou, rolou, aumentou de tamanho e no final destruiu minha saúde mental. Os cinco últimos anos foram intensos: eu entrei no mercado de trabalho com 15 anos, tinha uma jornada extensa em conjunto com a escola, um curso de administração e posteriormente o curso pré-vestibular; me mudei pra uma cidade hostil, desigual e insegura, tendo sofrido muito com isso em conjunto com a instabilidade financeira, a saudade dos pais e dos amigos, a incerteza do futuro... E a gota d'água - que foram necessárias muitas sessões para que eu aceitasse a sua parcela de culpa em minhas crises - foi um relacionamento tóxico estruturado em chantagens emocionais e práticas psicologicamente abusivas que me levaram ao extremo do esgotamento. Traições e brigas que me levavam a um desgaste que beirava o desmaio não foram o suficientes para eu terminar esse relacionamento o quanto antes. Mas ele durou um ano e dois meses. Sempre relevava os problemas em nome da falsa noção de amor romântico que nos é ensinado desde criança pelos mais velhos, pelos filmes e programas de TV.
Conseguir terminar com isso foi uma grande vitória e superar tal trauma tem sido um grande aprendizado. Um momento de tamanha ruptura que decidi até mandar um undercut no cabelinho e fazer minha primeira tattoo, que tanto desejava desde o ensino médio: um desenho meu, de coração rascunhado com o escrito Love is all you need, pra lembrar da necessidade de amar ao próximo - não mais da forma romanticamente ilusória -  e, principalmente, amar a mim mesmo; me sentir confortável comigo mesmo; jamais permitir novamente que alguém me desestabilize ou me use como sua dependência emocional;  e ter sempre em mente que se eu não posso ser quem eu sou em determinado lugar, talvez não seja o melhor lugar para eu estar.

Vamos em frente?
Axé pra quem é de Axé,
Amém pra quem é de Amém.

28 dezembro 2016

Ah, dois mil e dezesseis...

Que ano. Mais uma vez não me darei ao trabalho de qualificar como bom ou ruim. Houveram conquistas significativas, mas também perrengues bem traumáticos.

1. Passei o ano novo na praia com meus pais e uns tios (isso conta a partir do momento que esse ano nem pra praia fomos).

2. Por causa da greve de 2015, no ano novo eu estava no meio de um período da faculdade, o famoso "2015.2". Varios danos.

3. Logo ao voltar para o Rio de Janeiro, dois amigos da terrinha natal (Pedro e Vinícius) passaram quase uma semana por lá, se não me engano entre 14 e 20 de janeiro.

4. Pela primeira vez, curti um Carnaval. Uma das sensações mais gostosas e divertidas da minha vida. Me apaixonei pelo bloco do Sargento Pimenta. Foi no primeiro fim de semana de fevereiro.

5. Comecei o meu primeiro estágio na área que estudo. Comecei a trabalhar no Arquivo Nacional, em um projeto de imigração. Só eu sei como foi um alívio ter conseguido um trabalho depois de um ano - literalmente depois de um ano, pois me mudei para o Rio no dia 28 de fevereiro de 2015 e comecei a estagiar dia 1º de Março.

6. Fui pela segunda vez ao show de Florence + the machine. Foi libertador. Fazia mais de um ano que eu não ia a um show por falta de money. Também foi show do Mumford and Sons no mesmo dia e toquei no Marcus Mumford quando ele tentava sair da plateia. Foi ótimo.

7. Me apaixonei. E não sei se tenho palavras pra descrever isso. Havia começado o ano sem vontade alguma de me envolver depois de uma série de desilusões. Mas é como dizem: a gente nunca sabe de quem vai gostar.

8. Meu pai foi para o Rio no segundo final de semana de Junho para -finalmente- me ajudar a reformar meu quarto, que caia aos pedaços. República, né mores. Passei o dia dos namorados ajeitando tudo. Depois de mais de um ano, finalmente passei a me sentir confortável em um cantinho meu. 

9. Vi a necessidade de dinheiro se somar com as sugestões de começar a vender as coisas que eu criava. Em julho, idealizei minha marca de camisetas, a Theia. Aos tropeços tento conciliar minha atenção pra ela também, mesmo sabendo que preciso sentar e focar minhas ideias um pouco mais nela.

10. Passei a frequentar mais a região portuária, onde moro no Rio. Nunca fui de frequentar a Pedra do Sal, que fica logo embaixo de casa. Conheci mais os eventos que acontecem por lá, bem como os blocos. Também se tornou comum passear pelo Píer Mauá e pela Orla Conde, que foram repensados com as Olimpíadas.

11. Por falar em Olimpíadas: nunca vi o Rio tão seguro, feliz e com os espaços ocupados como entre Agosto e Setembro. Sempre tinha algo pra fazer, nem que fosse assistir os jogos no telão da Praça Mauá. Vários shows de graça (sdds Pretinho da Serrinha e Johnny Hooker+Elza Soares). A vinheta me deixa nostálgico. Assisti a dois dias de Atletismo Paralímpico, no Engenhão.

12. Chegou outubro. Eleições. Como parte do Centro Acadêmico do meu curso (consequentemente parte do Movimento Estudantil), me envolvi minimamente com a candidatura do professor de história Marcelo Freixo (que estava frente ao pastor mais-conservador-que-picles Marcelo Crivella). Saí adesivado, distribuindo material e frequentando os comícios. A campanha foi linda, a maior vaquinha já existente. Apesar de mais de seis vereadores maravilhosos eleitos, Freixo não ganhou desta vez. Também fico nostálgico com o jingle.

13. Por falar em política, vi a primeira presidentA do país sofrer um golpe daquela piscina de ratos que chamamos de congresso. Não sei se repararam, mas o Brasil não entra em uma crise política assim há anos! Diversos atos foram construídos durante o ano - fui inclusive a um show do Caetano no OcupaMinC, no primeiro semestre -, mas as mobilizações mais desgastante se deram agora no final do ano, principalmente com as ocupações e os atos contra a PEC 55.

14. Apesar de ter reprovado uma matéria e trancado uma por saúde mental (item 16), esse ano eu enviei meu primeiro artigo acadêmico, redigido com duas outras colegas,  para publicação em uma revista da faculdade. O artigo foi indicado para publicação após nossa apresentação na Semana de Integração Acadêmica, que ocorreu em Outubro. Apesar do tema não se da minha área de verdade, foi uma conquista.

15. Finalmente, depois de dois anos deixando crescer - com uma pausa no meio do caminho para ajeitar as pontas - cortei o cabelo para doar. Uns 20cm. Saudades :(

16. Terminei - e aparentemente estou virando - o ano com uns probleminhas psicológicos, como crises de ansiedade. Foi assustador no início, mas estou procurando tratar. Comecei, inclusive, a frequentar psicanálise. Cuidem da saúde mental de vocês, queridos(as). Não esperem as crises virem para se importar. A parada é séria e causa danos horríveis, mas sempre há saída!

Que ano, meus amigos. Teve frutos, mas foi perrengue. Que venham mais outros, que agora já senti o drama e tô mais calejado. Saúde, física e mental, pra aturar o que tem pra vir.

26 dezembro 2016

Podcasts podem salvar a sua vida

O trabalhador contemporâneo é uma pessoa muito compromissada. Ele leva muito tempo de ônibus para ir até o seu trabalho - e para voltar também. Ele trabalha por 4, 6, 8 horas diárias em seu computador. Ele passa 1, 2 horas diárias na academia. E ainda tem que cozinhar. E tem trabalho a ser feito em casa. E tem que faxinar - o que inclui lavar e passar roupa, limpar e reorganizar os cômodos, lavar o banheiro, enfim... Além de tudo isso, ele precisa estar antenado. Precisa estar a aprender coisas novas o dia todo, adquirir conhecimento que pode mudar a vida dele (e de seus conhecidos), saber o que se passa no noticiário (que anda muito ruim de qualidade)...

Listei abaixo cinco podcasts por onde comecei a ocupar as horas em que os ouvidos estão livres. Sério, vale a pena :)

  1. Xadrez Verbal: programas basicamente voltados pra política e história, nacional e internacional, essencialmente contemporânea - apesar de ter coisas sobre episódios mais antigos e tal. Eles fazem seus próprio programas mas também participam muito de outros podcasts (como o Anticast e o Nerdcast aqui listados).
  2. Mamilos (B9): podcast pra informar de uma maneira delicinha e engraçada; cultura, preconceito, saúde, polêmicas nacionais e internacionais... Ai, muito bom. 
  3. Nerdcast: não, o Nerdcast NÃO é só sobre games, tecnologia, cinema, TV e essas coisas que as pessoas ligam de primeira quando se pensa em "nerd". Lógico que fala disso também, mas eles têm vários programas de história, política, empreendedorismo e vários outros assuntos. É talvez o portal de podcast mais famoso desse paíszinho, gente: já são mais de 500, lançando um novo todas as sextas. 
  4. AnticastPolítica, arte, cultura pop... O Anticast fala de tudo e ainda tem vários outros podcasts dentro dele mesmo (de design, de literatura, de cinema, etc).
  5. Salvo Melhor Juízo: era um podcast independente, agora pertence ao Anticast. É o meu favorito por enquanto. Sempre quis achar um meio de aprender sobre direito que não fosse simplesmente ler livros. Acho que nossa falta de noção sobre esse assunto prejudica muito a nós mesmos! Vale muito a pena, os programas são ótimos!

29 agosto 2016

2016.2

Eu acordo daqui 6 horas e 30 minutos para começar mais um período estagiando em um arquivo e estudando História naquela instituição que me instiga tanto quanto me enoja, a famosa universidade. Tirei as teias de aranha do layout desse blog (bem como da página Sobre) e pretendo voltar pra transcrever coisas a ponto de poder comparar minhas visões com o passar do tempo. Sério, ler as coisas de anos atrás aqui postadas, ainda que minhas percepções tenham mudado drasticamente, tem sido bastante interessante.

Completará dois anos que não corto o cabelo (exceto quando aparei as pontas ao fazer um ano). Recentemente pedi meu primeiro cartão de crédito e mal posso esperar para ele chegar e eu virar mais um adulto endividado. Nesse exato momento estou com a sensação de ter engolido uma bola de pelos após ter passado a tarde lixando e pintando a sala da república onde moro. As três semanas de férias acabaram e, como havia dito, daqui menos de sete horas começa uma nova rotina - que planejei para ser mais tranquila, uma vez que a conturbação do último período me presenteou com um princípio de gastrite. Mas depois eu conto mais sobre isso tudo, que preciso descansar agora.

Boa noite.

18 fevereiro 2016

stop making a big deal out of the little things



Achei um post no rascunho. Um que nunca postei, de um ano atrás, dizendo minhas metas de 2015. Estava escrito assim, como uma espécie de dez mandamentos:

Nem falei de metas pra 2015 né? Que antipático. Na verdade minhas metas são meio que abstratas. Claro, tem o "praticar esporte e perder peso" de sempre, mas não convém postar sobre isso aqui. A meta pra esse ano é ser humano.

Elogiarás mais as pessoas.
Importarás mais com o bem estar do próximo.
Não julgarás as pessoas pela ideologia ou pela aparência.
Serás mais otimista em relação a si próprio.
Abraçarás mais.
Respirarás.
Amarás mais a família.
Absorverás mais conhecimento espiritual.
Farás o máximo para realizar os teus sonhos.
Lidarás de forma mais simples com tudo.
Eu esqueci complemente disso, visto que dei uma sequelada com o blog no último ano. Mas, inconscientemente, acabei melhorando em alguns aspectos, nos destacados. Preciso dar uma atenção aos outros casos, especificamente no "respirarás" e no "lidarás de forma mais simples com tudo". Às vezes parece que eu fico apertando na mesma tecla mesmo sabendo que tá na hora de parar e mudar. Também parece que, dentro da minha cabeça, faço parecer grandes coisas que poderiam entrar por uma orelha e sair pela outra. O "absorverás mais conhecimento espiritual" também pode me ajudar nisso, afinal sempre quis estudar mais sobre o que outras religiões têm a nos oferecer de bom. No caso do otimismo, não lembro qual a real razão de eu enumerar isso. Talvez porque eu não acreditava muito na possibilidade de entrar pra faculdade e, bem, cá estou. E sobre não julgar a ideologia alheia, tenho novas metas sobre essa questão. A gente das humanidades sempre tem essa coisa que querer despir os outros dos preconceitos sempre que possível - a famosa desconstrução - , e realmente acredito que isso deva ser feito. Mas percebo que às vezes, na indignação, acabo sendo um pouco agressivo (?) ao argumentar. Não que eu xingue ou me exalte, mas acredito que eu possa melhorar na hora de ser didático e explicar as coisas pras pessoas. Eu vou ser professor, poxa! Esse período na faculdade comecei a estudar Psicologia da Educação e é hora de diminuir um pouco a explanação do lado militante comuna-gayzista-feminazi e ativar o lado educador para atrair as pessoas mais do que afastá-las.

Como em 2015 aprendi a cozinhar, um novo tópico entrou pra minha vida. Existem muitas receitas que quero muito praticar. Cozinhar é realmente delicioso - literalmente. Eu emagreci bastante mas por comer menos e não por me exercitar. Continua a meta de fazer alguma luta/dança/whatever. Se minhas condições empregatícias convergirem, quero fazer pelo menos a minha primeira tattoo nesse ano. Quero voltar a praticar fotografia analógica e pintura à óleo; essas coisas sempre me ajudaram a distrair a mente. Preciso investir em línguas como Espanhol e Francês, além de dar aquela aperfeiçoada no Inglês. Quero ser mais participativo em encontros de historiadores para ver se já vou me acertando quanto a área e o lugar em que quero me especializar (as áreas que mais me interessam são História Contemporânea da América, da Educação e, acima de tudo, História da Arte).

VAMO QUE VAMO, MONAMÚ!